Estava com o maridex procurando um imóvel para alugar, porque nossa vida iria ter novo cep. Na realidade já estávamos sendo sondados a algum tempo para vir para os Estados Unidos. O chefe do marido sempre falava e perguntava e ele sempre respondia, tudo depende da minha esposa. Puta peso em minhas costas em marido?
Apoiei marido desde o início. Era uma grande oportunidade profissional, já que ele iria assumir as operações da empresa na América do Norte, seria uma grande oportunidade para o filhote, conhecer uma cultura e linguas diferentes, e seria uma grande oportunidade para euzinha também.
Depois de conseguirmos alugar uma casa bem pequenininha, se comparada a que tínhamos no Brasil, voltei e marido ficou, já trabalhando no novo desafio. Mas antes de voltar, nós compramos juntos um colchão, e um pequeno enchoval (4 copos, 4 pratos, 4 garfos/facas/colheres), um jogo simples de panelas, 2 jogos de lençois, um edredon, 4 toalhas e depois ele comprou uma tv pequena, um aparelho de telefone, uma mesa com 4 cadeiras, bem simples e ficou vivendo com isso enquanto eu voltaria para o Brasil para preparar nossa mudança.
Ele voltou para passar o Natal e Ano Novo conosco e logo após voltou para os Estados Unidos. Eu vendi tudo e me mudei com filho de menos de 2 anos para casa de mamã com algumas coisas que não iria vender e que iria trazer para cá. Em fevereiro marido voltou, fizemos a primeira festa de aniversário do filhote, que iria completar 2 anos e aproveitamos e comemoramos meu aniversário e nossa despedida é claro.
Mais de 100 amigos compareceram, foi uma das melhores festas que já tive. Isso foi no dia 19 de fevereiro de 2006 e chegamos aqui no dia 24 de fevereiro, só com as malas e o cachorro na bagagem. Não tínhamos sofá e nem cama para o filhote dormir. Tivemos que recomeçar e comprar tudo.
Período difícil. Sem família para dar apoio, sem amigos, um clima diferente, eu não falava patavinas em inglês, dependia completamente do marido, mas fomos levando em frente. Nos primeiros 6 meses tudo foi alegria, mas depois começou a bater a realidade da distância, as grandes diferenças, marido viajando muito e a tristeza começou a pesar.
Sempre fui uma mulher que trabalhou fora, teve seu prórpio dinheiro e projetos e naquela época além de estar em um país diferente, dependia completamente do marido. O que aconteceu? Depressão é claro. Engordei 35 quilos. Levava o filho para a creche e voltava para a cama e passava quase o dia todo lá. Marido tentava ajudar, mas também tinha todo o peso do trabalho em cima dele. É, foi um momento complicado.
Aqui perdemos várias coisas, além do convívio constante com a família e os amigos mais chegados, perdemos nossa vida social, nossa disponibilidade para viajar, descobrir e relaxar. Sim isto é muito engraçado, aqui esquecemos como a gente fazia antes para relaxar. Sorríamos e gargalhávamos muito pouco. Estávamos sempre tensos e preocupados. Eu sempre digo: se a testa da gente passa muito tempo enrrugada é porque estamos tensos e isso traz dor de cabeça e fatiga para o corpo.
Nas primeiras férias que conseguimos tirar, só conseguimos começar a aproveitar mesmo no terceiro dia, porque precisamos deste tempo para reaprender a relaxar.
Mas também ganhamos muitas coisas. Viver com segurança, aprender outra lingua, quer dizer eu e filhote, porque marido fala um monte delas. Viver em uma comunidade organizada, educada, limpa, segura. Acesso a bons serviços, excelentes escolas públicas e a tecnologia de ponta, por preços acessiveis.
Quando nos mudamos para a cidade que vivemos hoje, tudo começou a melhorar, porque aqui encontramos vizinhos que se transformaram em nossa familia. Aqui nos sentimos abrigados e felizes novamente. Voltamos a sorrir. Temos um casal de vizinhos, já idosos, que vieram nos receber no dia que estávamos mudando. Eles se auto denominam: Papai e Mamãe Urso e desde então se consideram nossos pais americanos. Foi nesta cidade, que começamos a respirar aliviados e pela primeira vez quando eu visitei o Brasil eu disse: Bem, preciso voltar para CASA. Sim, só aqui em Norwood comecei a sentir que eu tinha uma casa de novo.
Foi nesta cidade que meu filho começou a estudar, foi aqui que conheci meus melhores amigos americanos, que na realidade são Japoneses, Cubanos, Colombianos, Portoriquenhos e é claro NovaIorquinos. Fomos a primeira família a se mudar para a quadra e começar a renovação, já que a maioria dos moradores ainda são os primeiros que chegaram aqui, a mais de 40 anos. Antes o filhote estava sozinho, hoje ele já tem 6 amiguinhos só na rua. No último haloween saimos todos juntos para pegar doces, foi muito legal.
Muita gente no Brasil não entendeu nossa opção, ou até acharam que vivemos suntuosamente aqui. Sim, vivemos bem, em uma área de classe média alta, com muita beleza nas ruas, mas damos muito duro.
Por ser uma sociedade mais educada, não existe a quantidade de empregadas domésticas, como no Brasil. As pessoas estudam e trabalham em suas áreas. Na realidade existe sim, só que cobram caro por seu serviço especializado, já que seu ele é valorizado.
Aqui o cara que tem o Mercedão estacionado em uma mansão, no fim de semana bota uma luvinha e pega a escova de lavar vaso sanitário e põe a mão na massa, lava o vaso de todos os banheiros da casa. A mulher, que tem os cabelos muito bem escovados e sempre anda maquiada, é que aspira toda a casa, arruma a bagunça e limpa o fogão, e não tem vergonha disso. Os filhos são educados desde pequenos a arrumar a própria cama, guardar os próprios brinquedos, ajudar a limpar a cozinha, cortar a grama e limpar o jardim e não tem vergonha disso.
Ainda no Brasil continuo vendo crianças serem criadas como sinhozinhos e sinhazinhas, mas isto é outro papo.
Se antes eu já valorizava o serviço doméstico, porque fui criada sem empregada e aprendi a fazer tudo, inclusive a lavar roupa em tanque de cimento e com as mãos, aqui isso só se comprovou. Marido que antes nunca tinha cortado uma grama, teve que aprender a fazer. Aqui ele também aprendeu o prazer de viver em uma casa, sem arranha céus em volta, sem vaga apertada na garagem e com muita liberdade e principalmente sem muros aqui. Nossa casa tem um jardim enorme, 3 macieiras e uma sensação de liberdade e segurança indescritível.
Aqui tivemos que reaprender o valor da moeda, porque estávamos treinados na inflação e descontrole brasileiros, também tivemos que reaprender a ter bons serviços, já que no Brasil ainda existe uma situação que não é ideal. Por outro lado estamos sem paciência para pequenas coisas que ainda não funcionam no Brasil.
Estivemos no Rio de Janeiro na semana de 23 a 29 de outubro e ficamos expantados com a falta de profissionalismo e conhecimento dos serviços prestados por empresas cariocas. No hotel que ficamos eles disseram que existia wifi nos andares. Pergunta se conseguimos conexão? Não. E quando reclamei o gerente disse que teria então que chamar a empresa responsável e que isso demoraria dias. Oi?. Sem contar outras pequenas coisas, uma delas é o hotel não ter disponível uma extensão elétrica ou então a impressora da "sala de Internet" não funcionar.
Estamos mal acostumados.
Mas o mais importante é que aprendemos a amar esta cultura composta de tantas culturas e que apesar de tudo que falam sobre este país, ele sabe receber tão bem. Hoje os Estados Unidos possui um lugar especial no meu coração, faz parte da minha história.
Alguns dos meus 3 leitores devem estar perguntando porque estou contando esta história toda?. Eu explico: é porque estamos voltando para o Brasil, agora em dezembro.
Sim, nossa fase americana está acabando e estamos voltando para Casa. Porque nunca deixamos de considerar o Brasil nossa primeira casa. Nunca deixei ninguém falar mal do meu Brasil. Só eu posso. Sou como uma mãe possessiva. Ninguém se atreva a falar mal de um filho ou família meus, só eu posso, porque só eu conheço. Da mesma forma não vou permitir que ninguém que não conheça, fale mal dos Estados Unidos.
A empresa do marido o convidou para assumir um posto importante na matriz e resolvemos aceitar, então estamos fazendo as malas e se preparem, estamos chegando.
Mas com esta fase que se encerra, o TO DOIDA também será encerrado. Foi no período de depressão que ele foi criado. Tudo começou devido a um convite da amiga/irmã Ana Cláudia Bessa que comecei a contribuir para a primeira versão do blog que ela tem, o Futuro do Presente. Foi lá que dei meus primeiros passos, que comecei a entender este mundo da blogosfera. Depois de um tempo resolvi criar um blog solo e foi quando apareceu o TO DOIDA que me ajudou a sair da depressão, já que passava muito tempo na internet aprendendo a como mexer em códigos html, mudar layouts, e procurar novidades, sem contar os textos produzidos.
Depois de um tempo até comecei a ajudar outras pessoas a criarem seus blogs e layouts e fiz boas amizades através disto.
Foi neste blog que descobri tantas coisas e redescobri outras sobre mim. Aprendi a olhar as coisas de uma aspecto tão diferente de outrora. E principalmente aprendi uma coisa tão importante. Não escreva com raiva. Se algo te chatear na blogosfera, deixe para responder depois de alguns dias, eu tenho certeza que tudo vai ser diferente. Descobri que gente picareta também está aqui, mas que também tem gente incrível. Descobri que tem gente que vem olhar o seu blog só para usá-lo contra você, mas que também tem gente que o usa para fazer amizade.
Como ele foi e é importante na minha vida. Eu sempre o tratei como um filho. Mudava a roupa, fazia carinho, colocava música, brigava, entre otras cositas. Mas como todo filho ele cresceu e chegou a um ponto de poder ficar sem posts novos durante semanas e meus 3 LEITORES não me abandonarem.
O que falar mais desta ferramenta incrível que me deu tanto apoio? sem esquecer é claro que são as pessoas atrás da blogosfera que puderam propiciar este amparo, só meu muito obrigada.
No momento estamos muito ocupados providenciando a mudança, já que levaremos tudo o que pudermos para o Rio de Janeiro. Não cometeremos o mesmo erro de quando viemos para cá. O problema é esperar 2 meses para tudo estar liberado e pronto para ser entregue em nossa nova residência, que ainda não temos, risos. Assim que desembarcarmos no Rio iremos para um apartamento de temporada e só então irei buscar o ninho, que deverá ser entre Barra da Tijuca e Recreio e uma casa é claro.
Não não não adianta vir falar mal de casas, ou dos bairros, ou das obras. Deixem isso para nós resolvermos. Tudo já está bem cheio de burocracias brasileiras para enfrentarmos outras coisas, he he he. Mas será um período de férias e em 1 MÊS estaremos desembarcando no Rio e iremos nos hospedar em um condomínio que tem praticamente uma cidade dentro dele, teremos o segundo verão do ano, iremos passar Natal e Ano Novo com a família depois de algum tempo longe, no nosso clima, na nossa lingua, com a nossa gente.
Mas teremos em nosso pensamento todos aqueles que passaram em nossas vidas enquanto vivemos aqui e esperamos manter sempre contato e recebê-los de braços abertos em nossa casa, assim como o Cristo Redentor recebe a todos no Rio.
Voltando ao Blog, que dá nome a este post. Ele vai continuar no ar, só não terá mais posts novos, afinal de contas ninguém pode apagar o passado de uma vida, não é verdade?
Um blog novo? talvez, já que tenho um ponto de vista muito mais peculiar do que a 6 anos atrás. Estou diferente, mais velha, mais chata e muito, mas muito mais exigente do que quando deixei o Brasil. Se fizer um blog novo ele terá estas características, será crítico, mas sem jamais perder a doçura.
Aqueles que acompanharam esta jornada de 6 anos meus mais dedicados agradecimentos.
Todos sabem do meu amor pelo Rio de Janeiro e para terminar esta despedida/recomeço, ofereço (uma filha de Paraibano) à minha cidade do coração a canção que Elba Ramalho (Paraibana) fez talvez para alguém, mas que hoje vai para ela, Cidade Maravilhosa. Estou chegando viu?
De volta pro meu Aconchego
Elba Ramalho
Elba Ramalho
Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom,
Poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar
Na felicidade sem fim
Até um dia qualquer.
Cristiane Amarante Fetter











