quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um estado e nao uma condicao



Meu último post foi sobre a montanha russa de temperatura que vivemos aqui, e hoje é sobre a montanha russa de ser mãe.

Para mim ser mãe é estar sempre em um estado superlativo, e na descrição do dicionário Michaelis quer dizer:

adj (lat superlativu) 1 Gram Que exprime a qualidade num grau muito elevado, ou no mais elevado. 2 Elevado, extremo. 3 Levantado ao mais alto ponto ou grau. sm Gram 1 O mais alto grau; grau (dos adjetivos e de certos advérbios) muito elevado ou o mais elevado da qualidade que eles exprimem no positivo (donde vem o superlativo absoluto ou relativo). 2 Adjetivo com significação elevada ao mais alto grau. 3 A forma assumida pela palavra elevada à mais alta significação.

É estar sempre andando em uma corda bamba de emoções. E este estado tanto serve para descrever as coisas boas e as ruins de ser mãe. Não vou mencionar a gestação ou amamentação porque ser mãe vai além disso, já que muitas mulheres não podem gestar e amamentar um filho mas tem o amor suficiente para adotar uma criança. Para mim ser mãe é um estado e não uma condição.

Voltando ao tema principal, mães estão sempre em estado de alerta, é como se tívessemos uma área do cérebro constantemente alerta para qualquer fator diferente que acontece. Pode ser o clima, um toque de telefone, ou simplesmente "ouvir" o silêncio, já que toda mãe sabe que se está todo mundo em casa e tudo está quieto e não está na hora de dormir é porque algo de diferente está acontecendo. É estar sempre priorizando a vida do outro, deste ser que resolvemos criar para o mundo.

Eu digo que ficamos meio como um gato, um simples toque e nossa pele se contrai, rs. Contei tudo isso porque ontem eu havia combinado umas amigas brasileiras para um almoço aqui em casa, seria um Luluzinha-lanch.

Nós mães sabemos que precisamos destes momentos em que apesar das antenas continuarem ligadas não estamos "executando" o papel de mãe, mas só de mulheres/meninas/molecas que querem conversar, falar abobrinhas, trocar figurinhas, por aí.

Minha primeira convidada chegou pontualmente ao meio dia e uns 10 minutos depois chegaram as outras duas, que eram a minha outra amiga brasileira que mora aqui perto e sua irmã que está a passeio aqui em New Jersey.

O papo começou e as duas últimas foram ao banheiro e se sentaram, nisso o telefone tocou e era da brasileira que mora aqui e que tem um filho de 12 anos que estava no colégio. A princípio ela não queria atender, mas aquela área do cérebro entrou em ação e ela pegou o celular. Era o filho aos prantos dizendo que o aparelho que ele usa nos dentes (o modelo fixo) havia arrebentado e ele estava com a boca toda machucada. Claro que ela não perguntou se era uma coisa simples, mas o filho não parava de chorar, então ela resolveu ir ao colégio ver o que estava acontecendo.

Óbvio que não era simples e ela teve que levar o filho ao ortodentista. Óbvio que foi uma brincadeira de menino que casou isso, já que ele e os colegas estavam brincando e um deles puxou a camisa do primeiro e esta ficou agarrada no aparelho e foi o motivo dele ter se quebrado. Claro que o filho recebeu um esporro, porque ele sabe que pessoas que usam aparelho não podem se dar ao luxo de brincar de qualquer coisa. Claro que isto um dia ia acontecer, afinal de contas ele é um MENINO de 12 anos.

Depois dele ter sido atendido ela me ligou se desculpando mais uma vez, já que havíamos planejado este encontro com antecedência, só que nós mãe sabemos que a vida é assim, a partir do momento que assuminos este compromisso, o resto vem em segundo lugar e ainda bem que foi uma coisa simples.

Ser mãe é assim, embarcar em um dos carros da montanha russa e se segurar firme para ultrapassar por todas as curvas e ficar de cabeça para baixo de vez em quando, mas sempre sorrir ao final do passeio.

6 DoIdOs já enlouqueceram aqui:

REGINA GOULART SANTOS disse...

É Cristiane, ser mãe é padecer no paraíso. Tenho um único filho de 21 anos, muito bem ajuizado, mas a preocupação, é a mesma, e para sempre. Mas, vale a pena. Minha vida seria muito triste e sem graça sem meu filho.
Beijos

Silvia Masc disse...

Adorei esse post.Você, sempre sensata nas suas observações.
beijinho

Carmem Tristão disse...

hummmmm finalmente consegui me colocar no lugar da minha mãe. como naõ sou mãe, jamais imaginaria o que é passar por uma situação dessas. aos 14 anos eu usava aquele aparelho fixo "extra-oral". leia-se: freio de burro. e inventei de jogar vôlei na escola. não deu outra: numa cortada da garota do time adversário, a bola bateu com força no meu rosto, "fixando" de vez o aparelho na minha boca. aí veio aquele gosto esquisito na boca, um gosto quente e meio ácido (ou azedo, sei lá, faz tanto tempo). sangue. muito sangue. supermamãe lógico foi me buscar na escola. ela é até hoje empresária, e com certeza deve ter abandonado alguma reunião pra me acudir.

de outra vez, quando eu tinha 8 anos, era de noite, e pra deixar mamãe toda orgulhosa, inventei de arrumar meus armários do corredor (apartamentos antigos, sabe? corredores enormes, cheio de armários entre as portas dos quartos). no meio da "brincadeira", encontrei uma revistinha e me deitei de barriga pra baixa no corredor pra poder ler. só que me levantei ultra-rapidamente e sentei a cabeça na porta aberta do armário. nossa senhora, quanto sangue! mamãe era repórter especial de A Gazeta (rede Globo no ES), não tinha chegado em casa ainda, queria ligar pra ela e a nossa babá falou: "ah é? vai ligar? quer que ela chegue aqui e te leve pro hospital pra encher sua cabeça de ponto?????" lógico que não né! fiquei quietinha em casa!!!! rsrsrs com certeza a GErusa (nossa babá) viu que não era nada demais e que o choro era pura pirraça/manha. mas de qualquer forma, não se livrou do brigueiro de mamãe quando ela chegou em casa rsrsrsrs

quando me encontrar com ela novamente vou tentar fazê-la lembrar o que estava fazendo quanto tudo aconteceu. aposto que vamos dar boas risadas.

mães mães... um dia vou ter as minhas histórias pra contar :)

Cristiane A. Fetter disse...

REgina, minha mãe sempre falou:
FILHOS CRIADOS, TRABALHOS DOBRADOS.
Então ela está certíssima, rs.
bjks

Cristiane A. Fetter disse...

Silvia, obrigada viu?
bjks

Cristiane A. Fetter disse...

Carmem, minha mãe chamaria você de menino de saias, nada muito longe do que ela fazia quando era criança, até abrir a testa da irma com uma tamancada ela fez.
bjks

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